segunda-feira, 17 de maio de 2010

See through the Dust



As estrelas pareciam corroer-lhe o pensamento. A nitidez, tão aguçada quanto ausente, atormentáva-o. Altares às cinzas ele ergueu. Tanto mudou seu curso que ficou cego ao norte. Via-se sozinho na multidão, escolheu a faca ao cajado. O mármore de sua face era agora frio, seus olhos, desamparados.
Chegou ao subterrâneo. Só viria a existir nas mentes estranhas do futuro. Seu brilho, o melancólico fogo de seu exterior, vagaria pelos sonhos de passageiros vindouros. Sejam seus sussurros ouvidos, seus pedidos, atendidos. Erato, desvendai comigo o porquê da dúvida. Peço-lhe a melodia na brisa, a flauta no sopro e o eco nas palavras. Fechai os olhos, dai voz ao grito, razão ao sorriso.
Seja a névoa espessa, mas não sua viseira. Veja através da poeira . Por trás das nuvens , há luz.

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