sábado, 13 de março de 2010

Um conto inacabado

Chovia muito, e o hidroavião oscilava com o vento constante. Todos dormiam menos ela e o piloto. Com tantos relâmpagos, não conseguiria mesmo. O som dos trovões era terrível, gritos, rugidos de seres impensáveis. Galhos brilhantes, garras azuis e vermelhas envolvendo as nuvens. Não era mesmo uma boa hora para voar, mas tinham que visitar a casa da avó, e só havia esse modo de chegar lá.
Estava ouvindo música, tentando evitar os pensamentos decorrentes de um avião em uma tempestade. Não era sua impressão, ela estava piorando, como uma mão se fechando ao redor daquele mísero pássaro de ferro. Tudo estava mais escuro do que deveria, e os fios de sua nuca a avisaram segundos antes do ocorrido. A porta se abrira, sugando o ar. Ninguém sequer notou aquilo, apenas ela, que começou a ser tragada. Segurou-se no assento, mas era tarde demais.
Tudo foi lento, ou a menina rápida. Viu de relance todos sentados, com os olhos fechados, sem sequer notar quem se afastava como uma folha ao vento. Não, não estava caindo. A porta se fechou, e logo notou que sua direção era para cima. Flutuava graciosamente, não sentia frio, nem calor, nem os pingos ou o vento. Um lindo contorno vermelho iluminou o céu. Ela conseguiu ver perfeitamente a forma do raio, algo tão comum e subconsciente que alcançava a linha do familiar. “ .. cause you know sometimes words have two meanings...” –a música ainda tocava, quase em sincronia com a realidade, assustadoramente até - ” Sometimes all of our thoughts are misgiving....Oh, it makes me wonder...” Irônico, para dizer o mínimo.
Chegara ao ponto onde as nuvens acabavam, olhou para cima, e tudo o que viu foi um azul tenro e estrelado, iluminado de leve pelo prenúncio de um dia. Lágrimas escorriam, e tudo foi se enegrecendo. Só pôde ver uma forma negra ondulando em sua direção -"Ground control...
Continua em breve :P

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